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    Histórias inspiradoras: Seu Jorge!

    Mãe de Cachorro - Ana Corina | 27 de março de 2013

    jorge

    Apesar de postar o texto do Seu Jorge pra vocês, ainda não consigo lê-lo. De todos os cães da Mari, era o meu xodó. Não usei todas as fotos que a Mari postou no Garotas Modernas, então clique aqui para vê-las, vale a pena! Preparem o lencinho… o relato é lindo e pra lavar a alma… Mari, querida, não tenho palavras pra agradecer em nome do teu veio tudo que você fez por ele. Mais um anjo na vida de quem tem sido um anjo na vidinha de muitos. Beijo e fique bem.

    Depois de algumas semanas que meu “véio” se foi, eu consigo escrever sobre sua história, pra que vocês conheçam como esta criaturinha mudou minha vida e me fez enxergar e entender o que é e como é a velhice no dia-a-dia. Que me mostrou que amor não tem idade, não tem raça.

    No dia que chegou aqui em casa


    Era dezembro de 2009 quando uma amiga protetora, Isabela, viu um “pinscher” magro e perdido, correndo na chuva, no meio de uma avenida movimentada. Lá foi ela correndo atrás dele, que a mordeu, tentou fugir de todas as formas, mas estava muito cansado e se rendeu. Ela conversou com pessoas de um posto próximo e disseram que foi abandonado por um carro naquele mesmo dia. Ainda havia marca da coleira que devia usar no pescoço. Levou pra casa e fez tudo que tinha que fazer. Quando ele se sentiu mais fortinho, não se deu com os outros cães dela e, por ser idoso e pequeno, ela teve que mantê-lo trancado no banheiro até arrumar uma solução pro caso. E ele uivava dia e noite sem parar. Então, ela me ligou desesperada pedindo ajuda, pedindo por um cantinho, até adotarem ele. Na época eu tinha o Jet, o Gato, a Pupi e o Zorro e um quintal bem grande e aceitei.

    Levamos no veterinário e descobrimos que ele tinha cerca de 12-15 anos, mas gozava de boa saúde, fora os dentinhos, a maioria quebrados ou faltando. Foi castrado, vacinado, “engordado”. E foi ficando… “Pegamos” um amor por ele do qual não poderíamos mais largar. E sempre com aquele pensamento: “vamos dar um finalzinho de vida digno ao nosso velho, né?”. Pronto, mais um pro clã Siebert-Müller.

    Seu “esporte” preferido era dormir encostado em alguém, quentinho


    Ele sempre foi um cão muito alheio à tudo que acontecia ao seu redor. Achamos que era por conta da idade já avançada. Mas também era muito carinhoso e vivia querendo deitar do nosso lado e dos seus irmãos, mesmo eles não gostando disso, ele nem notava! O Gato ele nunca percebeu que era um gato, eu acho. Tomou muita lanhada dele ao esbarrar sem querer, deitar do lado, essas coisas. Era cheio de manias: só dormia no alto. Ou no sofá, ou numa cadeira de plástico, onde coloquei a caminha dele. E a idade, que já era avançada, foi tomando conta do corpinho e mente desse guerreirinho. Veio a Nana, o meu querido Chico, morto envenenado no bairro antigo que eu morava, a Tica, que foi adotada… E ele não se importava, ou melhor, nem notava novos membros na família.

    Um dia, do nada, ele começou a berrar, correr, bater com a cabeça na parede e convulsionar: hoje desconfiamos que eram AVCs (nunca teve um diagnóstico confirmado, com cerca de 5 episódios). E a cada crise, ele ficava mais “caduco”, andando muito em círculos, ficava no sol até “torrar” se não fossemos buscar/levantá-lo, se “trancava” nos cantos da casa, de cara com a parede, como se tivesse preso, já estava com a visão bem ruim e não ouvia mais nada também. Mudamos de casa. O Jet se foi. O Gato também. Veio a Luna e o Darci, quando Jorge já estava nos seus piores dias.

    Darci e sua paixão exagerada pelo velhusco. Esses dois não se desgrudaram até o último dia…

    O meu dia era preenchido por ele. Não sei se sem ele eu poderia ter aguentado a morte do Jet e do Gato, juntos. Sem ele, não sei se eu levantaria da cama nesses dias que eu estava muito ruim. Era preciso, eu não tinha escolha. Ele dependia de mim: eu nunca saia de casa por muitas horas. Se fazia, contratava babá pra cuidar dele. Eu me doei  tanto pro meu velhusco que, assim como ele de mim, eu fiquei dependente dele. Nós ficamos. Era cerca de meia hora pra dar almoço pra ele (ele não sabia mais onde estava a comida, não se concentrava pra comer) e meia hora do marido dando jantar pela noite, quando estávamos com sorte. Era uma rotina bem maluca, de limpar xixi (ele já não segurava mais), forçar comida, dar água, limpar caminhas, fazer com que ele não se machucasse, não batesse com a cabeça, levantar ele cada vez que caia, dar banhos quando caia em cima das necessidades etc. Adaptamos a casa pra ele, mas ele continuava se machucando. Então ganhei um chiqueirinho de criança, todo estofado, pra colocá-lo quando saia de casa, pra não se machucar. E foi ali, nesse “lugar seguro”, que ele partiu.

    Era um dia de sol e eu estava saindo de casa, coloquei o chiqueiro no quintal com ele e fui me arrumar. Um tempo depois fui ali colocar ele pra dentro e vi que estava pegando um pouco de sol lá. Corri. Lá estava ele, imóvel. Lá estava eu, pedindo desculpas sem parar pra ele. Metade do corpo dele estava no sol e, com toda culpa que costumo carregar, achei que tinha sido disso que ele tinha morrido. Não sei se ainda acho. Mas eu já me perdoei, se foi. O coração dele estava bem fraquinho na última consulta veterinária e ele deve ter morrido disso. E eu achei que estava preparada. Desde 2009 eu achei que estava preparada. Mas a gente nunca tá.

    Lá estava ele, todo dia, andando, andando sem parar, até a gente tirar ele do quintal e colocar na caminha. Talvez essas super caminhadas diárias, que ele fez até o último dia, tenham sido o segredo pra longevidade.
    Aprendi com esse anjo a ser paciente. Aprendi a ver um lado dos idosos que eu não via. Aprendi a amar acima de todos os defeitos e aparências. Aprendi também, que as pessoas não respeitam e rejeitam os mais velhos. Riem de seus defeitos, como se nunca fossem ficar assim. Aprendi a não ter pena dele; ele não era digno de dó, mas sim de admiração, por ter lutado contra o tempo de maneira tão gentil e tranquila. Ele não estava sofrendo quando as pessoas falavam “que pena dele, por que não eutanasias ele?”. Porque ele quer viver, oras! Porque ele não sente dor! Porque EU posso remediar todo o possível desconforto dele, por enquanto. Cães (e a maioria dos animais) não tem o lado psicológico complexo como o nosso, eles aguentam não ter uma pata, ser manco, ficar cego ou surdo. Eles aceitam, eles se adaptam. Eles não vivem pelo o que eles não tem, e sim pelo o que eles tem.

    Foi “só” isso que esse serzinho, que deve ter morrido aos seus 18 anos, me ensinou. Foi o meu único animal que morreu por conta da idade. E mesmo com todo trabalho que tive, espero cuidar de todos os outros até essa idade.

    Espero ter te dado um “final de vida” lindo, meu filho, já que não pude te dar uma vida inteira.

    Categoria: Histórias Inspiradoras, Mari Siebert
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    13 Comentários:

    1. Ivi disse:

      14 de março de 2014 às 20:23

      Q linda vida tu deste p este cãozinho, olhinhos lacrimejando…parabéns

    2. Roseli disse:

      14 de março de 2014 às 20:13

      Um amor sem explicação. Meu amor também se foi fazem duas semanas hoje, tinha 14 anos, cardiopata, tomava seis tipo de medicação, tinha uma vontade de viver sem limite, desmaiava logo em seguida já saía andando, brincando como se nada acontecia, nunca desistia, aprensentou uma melhora com a medicação e ficou com a gente mais um ano após a descoberta da doença, só que infelizmente, essa medicação que melhorava seu coração prejudicou os rins. Me indentifiquei muito com seu depoimento, pois desde que meu amor adoeceu me dediquei literalmente 100% a ele,fiquei ao seu lado até no momento que partiu,ele foi em paz e naturalmente, como em orações pedí À DEUS. Ele salvou minha vida, pois tive um problema de saúde que me derrubou e me tirou a vontade de viver, e esse anjo me mostrou que a vida valia a pena. Também o resgatei na rua, mas bem jovem, uns dois anos, e ficou com a gente por doze anos. Tenho centenas de fotos, de todas as fases de sua vida, e nelas, ele esta sempre sorrindo e se divertindo, e são essas as lembranças que terei dele para o resto da minha vida. “DEUS” abençoe você, pelo amor e dedicação aos animais.

    3. Carolina Maciel disse:

      14 de março de 2014 às 17:44

      Linda demais a história…… sei o quanto dói perder uma anjinho de pelos…. já perdi alguns mas infelizmente nenhum por idade……quisera Deus que os seres “humanos” tivessem um pouco de cuidado e carinho por eles, que Deus ilumine sempre o caminho e tenha a certeza de que você deu para o “seu velho” dias maravilhosos e dignos

    4. Jaqueline Oliveira disse:

      14 de março de 2014 às 17:34

      Chorando litros. Tenho o meu velhinho em casa e sempre passa pela minha cabeça que a cada dia o tempo dele se vai um pouco. Isso me deixa muito triste e não me sinto preparada para isso, acho que nunca estamos preparadas. Mas assim como voce, eu luto por ele, faço o melhor pra que ele passe seus ultimos anos com conforto, amor e saúde. Parabens pela sua iniciativa de adotar um caozinho idoso. Certamente ele agora está olhando por voce no céu dos bichinhos.

    5. Ana Maura Freitas Marques Figueiredo disse:

      14 de março de 2014 às 17:24

      Simplesmente, maravilhosa história!
      Obrigada por dividirem-na conosco.

      Pelos animais, sempre !!!

    6. Carlos Miguel Eibel de Simas disse:

      3 de agosto de 2013 às 00:14

      Gostei muito desta historia e estou admirado com a semelhança dele com o meu Bento adotado, parecem irmãos ou pai e filho!!!!

    7. TATIANA H. SILVA disse:

      2 de abril de 2013 às 13:41

      Linda e emocionante história. Os animais são seres iluminados, são anjos que Deus colocou na terra. Só quem ama os animais para saber o quanto é doída a perda e como eles nos fazem falta. Parabéns pelo amor e carinho com que vc tratou ele. Com certeza ele está no céu dos cachorrinhos zelando por vc.

    8. Patrícia disse:

      30 de março de 2013 às 11:58

      Me emocioni muito com a sua atitude com esse cão idoso e ao mesmo tempo me identifiquei, pois a um 01 ano, passei pela mesma situação,minha cachorra se chamava Tiny e era uma velhinha de 17 anos, com todos os sintomas que seu amado velhinho sentia,cuidei dela até o fim, é muito triste ver eles neste estado, porem serviu p mim a lição que vc deixou, sobre o respeito, os cuidados a dedicação que devemos ter para com todos, e que amor não tem idade, aparência, quem ama cuida, protege, se dedica! Parabéns Mari, o mundo devia ter mais pessoas como você!!

    9. annita petry disse:

      29 de março de 2013 às 22:26

      Nossa….eu não sabia 🙁

    10. Carlos Miguel Eibel de Simas disse:

      29 de março de 2013 às 18:25

      Boa tarde!
      Nossa como ele era parecido com o meu Bento que adotei já à 4 anos!
      São iguais!
      Bento veio da favela do Papaquaara e agora vive conosco já a 4 anos o mano mais novo do Théo!!

    11. Aline disse:

      28 de março de 2013 às 12:07

      Nossa Mari, que fique registrado minha super admiração por tudo o que você fez pelo seu velhinho! Sou protetora e tenho uma cachorra velhinha que também está com problemas sérios de saúde, a Duda, a história dela já até saiu nos finais felizes aqui do mãe de cachorro… estou fazendo tudo o que posso por ela e não gosto nem de pensar quando ela partir, o que espero que demore muito ainda…
      Enfim, queria que todos os cães pudessem ter o fim digno que você deu para seu bebê, que todos pudessem morrer e deixar um coração partido, porque isso seria sinal de que foram amados… queria que todas as pessoas pudessem ter esse coração bom que você e seu marido tem, mas se fosse assim, jamais ele teria sido abandonado por um idiota que acha que os animais são apenas objetos.
      Parabéns, que Deus conforte o seu coração e que a dor possa se transformar em uma saudade gostosa. Seja grata a Deus por ter colocado esse ser em sua vida, porque eles não ensinam lições valiosas que outros seres humanos nunca poderiam nos ensinar. Bjs.

    12. Virginia disse:

      27 de março de 2013 às 13:25

      Querida, sei como

    13. Silvana Kato disse:

      27 de março de 2013 às 12:08

      Conheço sua dor… e sei como ela dói…

      Quem dera todos os humanos fossem como vc.

    Os comentários estão fechados.

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