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    Bicho pra quê?

    Mãe de Cachorro - Ana Corina | 3 de janeiro de 2013

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    Fazer o blog é muito bom, pois com ele já ajudei a literalmente milhares de pessoas e animais ao longo destes quase 6 anos de Mãe de Cachorro. Isso sem falar nas amizades construídas, nas oportunidades que aparecem, na experiência que eu tive com a loja virtual etc.

    Mas muitas vezes é absurdamente desesperador. Se vocês soubessem a quantidade de pessoas que colocam cães e gatos em suas vidas sem a menor noção do que é cuidar de um ser vivo e pelas razões mais equivocadas... Dá vontade de parar tudo e nunca mais receber um e-mail, um comentário, nada. O que fica é a impressão de que só uma minoria tem cães e gatos em suas vidas para conviver com um animal por amor puro e simples, desinteressado e sem paranoias. A maioria parece querer apenas um boneco pra descontar suas frustrações, uma válvula de escape que não pode reclamar e nem se posicionar. Ah, se os nossos pets falassem... Com certeza muita gente não estaria preparada para o que eles teriam a dizer. Recebo cada dúvida absurda, cada reclamação sobre os peludos que me dá vontade de ter uma varinha mágica que retirasse os animais das vidas destas pessoas para NUNCA mais voltar. Nem eles, nem outros, né? Por que há os que matam seus pets pra em seguida pegar outro. É matam, de matar sem ser "intencional". Bem fácil, sabe como? Deixando o bicho explodir de gordo, não fazendo checkups a partir de uma certa idade (o que limita as chances de descobrir alguma doença grave a tempo de ser curada), sem castrar, sem usar o mínimo de raciocínio e ver que aquele tanto de remédio/pipeta/vacina/banho/petisco simplesmente não pode fazer o bem prometido, deixando o bicho numa vida de tédio eterno, muitas vezes sem sequer deixar o pobre PISAR NO CHÃO. Gente, dia desses conheci uma mulher que tem dois yorkies que só saem de casa no colo ou de carro. PASSEIOS ZERO. Isso é vida? Isso é neurose! Perguntei se ela também fez filho e deixou trancado por medo da VIDA. Cachorro tem que correr, pular, brincar, se sujar, comer besteira no chão, conviver com outros animais, com outras pessoas. É igual propaganda de sabão em pó, meu povo: deixa sujar, depois vocês lavam. Ou não tenham um cão e pronto. Há pouco respondi o comentário de uma pessoa que está com "muito nojo" porque o filhote de cão de 6 meses está comendo as fezes. Tanto nojo que já está pensando em passar o cachorro adiante. Daí eu pergunto: tem bicho pra quê? Pra ter uma vida fácil, de comercial de propaganda, ou para lidar com a VIDA REAL, com bom senso e NÃO DESISTINDO? Quanta criança come cocô quando bebê? Vamos morrer de nojo e largar todas na creche até terem assim uns 18 anos então? Ahhhh, mas Deus o livre comparar criança com cachorro, né? POIS É, JUSTAMENTE! Cachorro PODE comer cocô. Não gostamos se o fizerem. Podem estar doentes para o fazerem. Mas podem. Está no direito deles que vem junto com a fama de "animal irracional". Cocô, pra cachorro, pode ser uma iguaria. Quer ver se for de gato! Hummm, DELÍCIA. E daí você vai morrer de nojo e desistir do animal? Peraê, peraê, devagar com o andar! Vá pesquisar a causa, vá ver se a dieta dele não está uma bela BOSTA, vá ver se a vida dele não está tão tediosa que ele precise comer cocô pra ter alguma atenção (ainda que seja por meio de broncas) dos humanos com quem convive... As pessoas reclamam "Meu cachorro não quer dormir na caminha", "Meu cachorro não quer comer ração", "Meu cachorro volta do banho e se esfrega nos móveis pra tirar o cheiro", "Meu cachorro tem cheiro de cachorro", "Meu cachorro não quer dar três pulinhos, pegar a bola e sentar pra aprender a tabuada". POIS É, MINHA GENTE,  sabem o motivo? Por que cachorro é cachorro, não é humano. Cachorro sabe o que é bom. Cachorro prefere um piso geladinho a uma cama caríssima e cheia de cheiros artificiais que só fazem mal ao focinho dele. Cachorro falta morrer de desespero com tanto cheiro que passam nele. Cachorro, se comer direito, se não tomar banho toda santa semana, se for escovado regularmente, não vai feder. E se tiver algum cheirinho, afinal o que as pessoas querem? Ter cachorro cheirando a rosas? A lavanda? Fico olhando o Shoyo e a Java, vendo a vidinha deles tão sossegada, tão sem neuras e os dois tão saudáveis. Ah, mas eles são pequenos e ficam soltos no quintal quando saio de casa? Claro! São cachorros, precisam correr atrás do passarinho, da lagartixa, comer fruta caída do pé, escolher se querem ficar sob o sol ou à sombra, oras bolas. São pequenos, mas não são de vidro, nem de açúcar. E ao refletir sobre a vida deles, fica impossível não pensar na quantidade de cães e gatos mantidos como bibelôs, cheios de supérfluos e sem o que realmente importa: poderem ter uma vida sendo bichos, com suas naturezas respeitadas. É pra isso que o Mãe de Cachorro existe, para ajudar as pessoas a darem a seus cães e gatos uma vida de bicho de verdade. Com mais escovações e menos banhos, mais passeios e menos roupinhas, mais carne crua e menos petisco industrializado, mais saúde real e menos vacina desnecessária e em excesso, mais amor de verdade e menos neurose. E sabem o que seria bom? Que houvesse mais veterinários batalhando por isso também, estudando mais e sempre, procurando conhecer o melhor para seus pacientes, não para seus bolsos. Enfim…  Estou só pensando alto… Beijos e feliz 2013 a todos.
    Categoria: Animais e nós, Guarda responsável
    Atenção!
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    16 Comentários:

    1. Angela Costa disse:

      14 de janeiro de 2014 às 11:17

      Amo essa página. Concordo que, se uma pessoa não ama bichos, não ama ninguém, nem ele mesmo.
      Tenho dois labradores,o Joejoe, que tem 4 anos e seu filho Bóris de 11 meses. Ainda tenho uma gatinha, a Nina, e uma calopsita chamada Jujuba, que convivem pacificamente. Amamos nossos animais. Procuramos cuidar bem deles, dando-lhes conforto, amor, carinho, atenção, além da comida e dos cuidados básicos. Não sei o que faria sem eles.

    2. Noemi disse:

      18 de janeiro de 2013 às 20:54

      Mas olha, que texto lindo. Os donos de animais deveriam imprimir e pôr na geladeira p/ ler todos os dias.
      Não consigo imaginar minha bixilica sendo maltratada. Só de pensar eu PIRO. E tem gente bem escrota nesse mundo, ah se tem.
      Eu só tenho tempo de passear com minha pequena uma vez por dia, mas as vezes isso me dá uma culpa terrível…tanto que eu vou começar a acordar bem mais cedo pra dar tempo de ir passear + de uma vez ao dia. Quando saio de casa, deixo um ventilador ligado, vários cacos de água (GELADOS, coloco garrafas com agua na geladeira p/ ela), etc. Sou paranóica com essas coisas. Meu marido fala que tem medo de quando eu tiver um filho, pq é assustador como eu cuido da minha pequena. Não trato como gente, trato como cão, mas cuido de todas as maneiras possíveis. Aí paro pra pensar em como alguém tem coragem de fazer algo contra animais sabe? Fico realmente indignada com essas coisas.

    3. Nenna Falchi disse:

      11 de janeiro de 2013 às 05:27

      Sempre tive cachorro e nem consigo imaginar como seria viver sem os meus amigos fieis. Curto muito o Cesar Milan e aplico o que ele ensina. Espero que os meus cães sintam por mim o mesmo afeto que eu por eles. 🙂

      Fiquei na dúvida: neste vídeo o cão não larga o fresbee porque é do caráter dele ou por medo? Isso é diversão?
      https://www.youtube.com/watch?v=Hbqjr6QslOs

      • Mãe de Cachorro – Ana Corina disse:

        12 de janeiro de 2013 às 01:56

        Não sou educadora canina e JAMAIS brincaria assim, acho agressivo. Mas o cão parece estar curtindo, tanto q qdo param ele logo abana o rabo… É um Jack Russel, precisa gastar muita energia. Não sei responder.

    4. Thatá disse:

      7 de janeiro de 2013 às 16:08

      Não encontrei o email para tirar uma dúvida…Estou querendo adotar o cãozinho adulto de uma pessoa da família. Este cão é muito bem tratado, mas tenho pena dele porque sua tutora trabalha muito e raramente está em casa…Mas tem um problema que não consegui resolver: Ele só come na presença de sua tutora, não come comigo. Já o trouxe para minha casa em um fim de semana e ele ficou 2 dias sem comer, dei comida na boca dele e ele aceitou um pouco e só comeu de verdade na presença da tutora. Este final de ano ela viajou e eu me ofereci para cuidar dele e ele tb não comeu enquanto ela não esteve presente. Estou quase desistindo de adotar ele, ele me ama, mas não come se não for com a verdadeira dona…Como posso mudar isso?Alguma dica?

    5. Thatá disse:

      5 de janeiro de 2013 às 20:52

      Lembrei de uma tia minha que comeu coco quando criança e virou história de família kkkkk olha sabe a verdade??as pessoas não querem ter trabalho, simples…EDUCAR EDUCAR EDUCAR e isso dá trabalho, querem um animal pronto, isso não existe!!!Leiam, investiguem o problema do bicho, entendam o porquê de certo comportamento e RESOLVAM. Simples. Se não querem trabalho peguem um robô 😉

    6. Malu disse:

      4 de janeiro de 2013 às 12:06

      cocô de bezerrinho então…
      hummmm! 😀

    7. Elaine Holanda disse:

      4 de janeiro de 2013 às 10:42

      Concordo com tudo o que vc disse,tenho meu caozinho e ele fica la no quintal,a fazer toda arte possivel,quando me levanto parece que passou um desastre no meu quintal,mas e dai?eu sabia que um cao tem suas nessecidades e se a do meu é cavar buracos no meu quintal,que remedio há, deixo cavar depois vou la e tapo,so pra depois ele ir la e cavar denovo e denovo…Mas bem ele cao e cao,ele adora correr no quintal e quanto ao banho so dou quando ele realmente esta marron de tanta terra,e quando suas unhas estao grande ele vai ao pet,mas caso contrario é em casa mesmo.

    8. Patricia A. disse:

      3 de janeiro de 2013 às 23:55

      Ah… eu adorava quando a Nina começava a ficar com aquele cheirinho de cachorro, ou qdo voltava gostosa do banho no vet. Ela, uma vez, comeu o meu chiclete e ficou com os pelos da boca todos coloridos – me deixou maluca! Hoje em dia sinto uma falta tão grande dela. 🙁 E tanta gente abandonado bichinho, como pode? Se não quer ter ou não pode ter: NÃO TENHA! É o que eu penso. 😉 Abçs.

    9. Heidi Ponge-Ferreira disse:

      3 de janeiro de 2013 às 19:23

      Sou adepta de projetos transdisciplinares para a formação e capacitação de profissionais veterinários. Posturas ortodoxas de ensino não permitem a aprendizagem e desenvolvimento de várias práticas interessantes, que mudariam posturas profissionais para sempre. Falar só de medicina veterinária legal poderia parecer vender meu peixe, mas as perícias englobam tanto aspectos exclusivamente técnicos, mas principalmente humanitários, onde o conteúdo de bem-estar animal, etnoveterinária, medicina do coletivo, manejo etológico, entre outros seriam práticas aplicadas na solução de problemas. As doenças que mais avançam nos animais são especialmente as de caráter metabólico (endocrinológico), com enfase à obesidade e hipertensão. Os principais distúrbios comportamentas gerados de conflitos de criação: falta de enriquecimento ambiental ou excesso de antropomorfismo, e a violência humana totalmente vinculada às conexões com maus-tratos animais. No dia em que houver uma compreensão global dos fatos, o entendimento será que tudo isso são questões economicas também. Significa não ficar a mercê de posturas mercenárias, mas saber resolver problemas de forma mais abrangente e também economicamente viáveis…

    10. Roberta disse:

      3 de janeiro de 2013 às 19:10

      Ana, Parabéns! ótimo texto, como sempre!!!!! Eu acredito plenamente no que escreveu. Gente é para brilhar, cachorro é para latir, brincar, ter cheirinho…Nosso pastor é lindo, saudável e não toma banho desde 2010. Nenhuma pereba, nada de cheiros. Escovamos a cada dia, o que nos aproxima mais dele. Ter cachorro é ter algo eventualmente estragado, é passear, é ter às vezes um tapete sujo…mas na “minha conta” compensa. Fico triste quando vejo roupinhas, apertando os coitados, enquanto sabemos que correr atrás de uma folha voando seria muito mais bacana. Adorei e parabéns! Um ótimo 2013!

    11. Flavia Costa disse:

      3 de janeiro de 2013 às 18:45

      Excelente, Ana! Falou tudo o que mta gente precisa ouvir. Há pessoas que tem seus bichos só para dizerem que tem. E o amor, a dedicação e o cuidado? Quando decidi ficar com Lobinho, não sabia de muita coisa, por ser meu primeiro animal, mas nem por isso descuidei dele. Procurei me informar e descobri você! Hoje ele já está conosco há dois anos, aprendi várias coisas e ele faz parte da família. Mesmo. O que não queremos para nós, não queremos para ele. Se não gosto de ficar trancafiada em casa, ele também não. Se bebo água filtrada, ele também. Se decidimos ficar com ele, foi para proporcioná-lo bem estar e uma existência feliz.

    12. Andrea Behmer disse:

      3 de janeiro de 2013 às 17:43

      Pois é Ana, o primeiro passo pra realmente amar um animal é entender que ele é um bicho e precisa ter vida e liberdade de bicho.
      Lá em casa a regra é clara, eu não durmo na cama deles nem els na minha, eu não como a comida deles nem eles a minha. Tem exceções claro! Comida de gente que é boa pra eles, eles recebem, mas nunca que a gente está comendo, pego uma fruta pra eles, corto divido, dou junto com brincadeiras, colo um tiquinho de iogurte natural com a ração. Eles brincam na terra, se sujam, pisam no xixi e andam pelo quintal, acontece! A gente limpa! Adorei seu texto!!! Como sempre!

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