Papo de Mãe – Comportamento: Preciso ter algum problema emocional para gostar e querer conviver com animais?

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gato

Estou com este post na cabeça há 6 meses. Na volta da viagem para o aniversário do Cachorro Verde, em junho, comprei uma revista chamada Psique só por que a matéria de capa era "Fuga das relações: pesquisa revela que 18% dos brasileiros preferem a companhia de seu pet no Dia dos Namorados". Aquilo já me irritou um pouco, por que OK que tem muiiita gente com problemas de relacionamento que foca nos animais para extravasar de diferentes maneiras, mas, pôxa, e as pessoas que podem ser consideradas saudáveis emocionalmente e que ainda assim têm o amor pelos animais como uma das realidades em suas vidas? Então agora todo mundo que ama cães e gatos ou que vai ainda mais além e vive uma vida de defesa dos animais (não comendo, não vestindo, não consumindo NADA de origem animal ou que seja testado neles) tem algum "problema"? Que aporrinhação isso, sinceramente!

"A pesquisa, realizada globalmente, aponta que um em cada cinco adultos (21%) em 23 países (que representam 75% do PIB mundial), se pudesse optar, passaria o dia com sua mascote, e não com seus companheiros. Mas 79% discordam e preferem passar o dia com seus parceiros ao animal de estimação. No Brasil, o número chega a 18%, ficando atrás da Argentina e da Espanha, por exemplo. (…) Apesar do número de pessoas que prefere, claro, passar o Dia dos Namorados com o companheiro ser maioria, o que nos chama a atenção nesta pesquisa é a elevada estimativa dos que não hesitam em trocar a companhia do parceiro pelo fiel bicho de estimação." fonte: Psique

Apesar de trazer dados interessantes, como no trecho abaixo, achei que no fim das contas, as pessoas que possam fazer a opção de passar uma simples data comercial em companhia de seus pets ficaram caracterizadas como privadas de capacidade de se relacionar saudavelmente com outras…

"De acordo com a literatura pertinente, a companhia dos animais pode trazer benefícios para a saúde e para o estado emocional do ser humano. Há comprovação científica na ajuda do controle do estresse, da pressão arterial e de problemas cardiovasculares. Tem grande importância para os idosos, pois se deixam tocar e acariciar. São indicados em casos de depressão, tornando-se motivação de vida e ocupando vazios existenciais na vida das pessoas. Estudos demonstram que esta relação aumenta a produção de endorfina, o que melhora sentimentos depressivos. Diminui ainda a percepção "da dor" e aumenta o número de células de defesa do organismo. A convivência com bichinhos de estimação ensina as crianças a respeitarem a natureza, além de torná-las mais calmas e carinhosas. Aquelas com problemas psicológicos também se beneficiam deste contato. Pesquisadores já demonstraram que a posse de um animal de estimação durante a infância é uma influência extremamente importante para a construção de uma conduta adulta favorável e para alcançar um ótimo desenvolvimento social." fonte: Psique

A matéria desanda a falar das dificuldades modernas de relacionamento, dos jovens e de sua realidade bastante impessoal através da tecnologia, das dificuldades do casamento moderno blábláblá e achei que perdeu o foco da questão que fica latente na capa (onde um homem jovem beija carinhosamente a cabeça de um cão), a opção pela companhia de animais como fuga das relações.

Só que… No fim da matéria voltam à questão dos bichos como "substituto das relações humanas" e a sensação que me invadiu há 6 meses e que foi repetida agora que reli a matéria para escrever este texto é a mesma: usaram os pets para vender revista através de uma capa sensacionalista. Posso estar muito errada, claro, mas leio, releio e só vejo um material muito mais pertinente sobre as relações humanas nos tempos modernos do que sobre

"Querer conviver com animais é importante, porém, o animal não pode ser substituto das relações humanas. Trocas afetivas amorosas são fundamentais para o crescimento pessoal e social e não podem ser substituídas de forma rígida e inflexível pelo convívio com o animal, correndo o risco de se transformar em defesa neurótica contra o medo do abandono. Amar é risco, se doar é risco, ouvir e ser ouvido é sempre bom." fonte: Psique

Para ler a matéria de capa da edição 66 da revista Psique e ver se estou viajando ou não, basta clicar aqui. Comentários são bem-vindos, por que realmente fiquei curiosa em saber se outras pessoas terão a mesma interpretação que eu da matéria.

E para homenagear meus amores… Vídeos do que minha turminha anda aprontando. Dá pra não AMAR, gente?

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Comentários

  • Maria Lúcia Novaes disse:
    18 de dezembro de 2011 às 10:27

    Ridícula essa matéria.Eu e minha família temos animais de estimação ( cachorros,gatos,passarinhos) desde sempre.É uma tradição de família gostar e proteger animais e nenhum de nós tem problemas de relacionamento,pelo contrário,somos felizes,criamos nossas famílias e temos filhos que também gostam de animais.Aliás,achamos estranho quando alguém não gosta deles.Em vista do que andamos vendo na humanidade ultimamente,não é de se estranhar que as pessoas prefiram os animais Eles são sinceros,dóceis e confiáveis,coisa que a maioria dos seres humanos está mostrando não ser.

  • Karine disse:
    18 de dezembro de 2011 às 15:22

    Eu com certeza não sou maluca por gostar de animais. Verdade, tem gente que tem esse pensamento, já me perguntaram se eu tinha algum problema na família, porque era muito grudada aos animais. Absurdo, né?
    Eu simplesmente os igualo a nós, acredito que todos os animais (incluindo humanos) são iguais.
    Amo tanto eles (e não tenho nenhum problema emocional) que fico sempre dedicando todo o meu tempo, amor e carinho. Fiz um depoimento enorme sobre minha cachorra que está de aniversário hoje, e postei no meu blog. Divulguei e não tenho vergonha de gostar animais.
    Ontem meu primo veio aqui e viu meu papel de parede do notebook (o papel é dois Whippets fantasiados de rena e papai noel), ficou me achando louca, e eu falei que eu GOSTO e cada um tem o que ama…ele ama a música, eu os animais.
    O comentário ficou muito grande, né?! hehe

    Bjs

  • Marina disse:
    18 de dezembro de 2011 às 19:21

    É…tem uns malucos por aí que dizem que porque não me casei fiquei tão ligada aos animais. Fazem conexões aleatórias e depois a maluca sou eu rsrsrsrsrsrsrs

  • Érika disse:
    18 de dezembro de 2011 às 20:11

    Gostei do post, acho que levanta uma questão importante. Essas pesquisas não dizem nada. Essas revistas adoram citar pesquisa científica, mas não sabem analisar um artigo científico e ver as falhas metodológicas neles. Quantos entrevistados? Como foram entrevistados? Onde foram entrevistados? Além disso, ainda que sejam pesquisas sérias, não diz que no geral pessoas que têm animais preferem conviver com eles e não com humanos. Não é uma questão de preferência. E ainda que existam pessoas que prefiram animais e que tenham de fato problemas comportamentais e dificuldades emocionais e amenizem suas dores convivendo com um animal, isso não as diminui em hipótese alguma. No mundo em que vivemos, existem milhares de pessoas com dificuldades de relacionamento e que não conseguem sequer se relacionar com um animal. Para uma reflexão sobre isso Ana, eu recomendo o livro do Zygmunt Bauman chamado Amor Liquido. E ainda há aquelas pessoas que melhoraram sua capacidade de se relacionar e até fizeram várias amizades por causa dos animais (eu me incluo nessa categoria! rsrsr)

  • Beth Zir disse:
    18 de dezembro de 2011 às 20:51

    Sabes, talvez eu seja maluca pois convivo com sete cães e vinte gatos, todos acolhidos da rua ou abrigos. Tenho uma relação muito saudável com meus filhos, seus cônjuges, meu neto e todos os pets da família. Passarei o Natal provavelmente em casa com os cães e gatos pois os filhos moram em outras cidades e, nessas datas “comerciais” prefiro ficar com os filhotes de quatro patas e aproveitar os dias “normais” para estar com os filhos e suas famílias.
    Poderia passar a noite de Natal com alguns amigos, inclusive fazer pequena ceia aqui em casa, mas ninguém quer sair de uma casa com peruca de pelos pelas roupas de festa, então com os pets convivo, com eles passarei o Natal. Sou maluca? Talvez, mas sou feliz. Ah, e dispenso peru ou qualquer outra carne. Minha ceia será Panetone, bolachinhas caseiras, castanhas, damascos, nozes, essas coisinhas que os cãezinhos uma vez por ano podem comer.
    Abraço,
    Beth.

  • Patrícia disse:
    19 de dezembro de 2011 às 11:26

    Sinceramente, esse assunto me irrita profundamente.
    Eu vivo fazendo tudo o que dizem ser o melhor pra minha saúde: me alimento bem, faço exercícios e me privo de muitas coisas que eu gostaria em prol do que dizem ser o melhor pra mim.
    Agora, uma matéria de revista escrita por um provável imbecil querer dizer o que é melhor pra minha saúde mental, dá licença!
    Eu fico sim com meus cães e deixo de fazer muitas outras coisas para o bem deles. Eles me fazem feliz e ponto.
    E esse assunto já tá até ultrapassado. Não sei pq eles perdem tanto tempo escrevendo sobre isso se hj já tá mais do que consolidado que os pets fazem parte da família e são tratados como tal.
    Desculpe pelo desabafo.

  • Anônimo disse:
    19 de dezembro de 2011 às 20:22

    Tereza Falcão, Arujá, SP – Sou PSICANALISTA e vivo combatendo essa falácia! Penso exatamente como você, o assunto me irrita. Pode haver gente que substitui as relações humanas por relacionamentos com animais, o que não quer dizer que todos os que preferem o relacionamento com determinados animais a relacionamentos com determinadas pessoas tem algum desequilíbrio emocional… Eu mesma assumo e não faço segredo que meus boxers são companhia muito melhor que 80% das pessoas que conheço. Parabéns por abordar o tema.

  • Mariana Oda disse:
    20 de dezembro de 2011 às 01:23

    Oi Ana,
    apesar da matéria ser totalmente perdida, o assunto é bom! :)

    Eu acho que muitas pessoas que tem dificuldade de se relacionar, encontram nos bichinhos de estimação uma compania. Mas não que a maioria das pessoas que tem pets, tem problemas!!!

    Eu e meu marido nos casamos a 4 anos e não pretendemos ter filhos. Posso te dar milhões de motivos para isso, mas a verdade é uma só: não tenho vontade de ser mãe.

    As minhas peludas levam toda a culpa pelo fato de não termos herdeiros! Pobrezinhas!!!!
    Faço tudo o que posso pelas meninas porque sou RESPONSÁVEL por elas, desde o momento que decidi ter um cachorro. O fato de chama-las de filhas é simplismente porque é a relação que mais se assemelha com a relação entre humanos!

    Hoje, namorar, casar, ter filhos, etc são todas opções de vida, e antigamente eram obrigações! Não acho que substituimos nada, só passamos a escolher melhor.

    Desculpe pelo imenso comentário!!! :)

    Beijos
    Mariana Oda

  • Bruna Gonçalves disse:
    28 de janeiro de 2012 às 01:48

    Somos todos iguais…
    Somos todos animais…
    Se parar pra pensar, todos somos bichos!
    Temos o sangue da mesma cor, um cérebro, um coracão… precisamos da mesma água, da mesma terra, do mesmo sol… E mesmo que o sangue seja “verde”, a extrutura é a mesma, desde o maior animal até o menor inceto! Eu sempre digo: Eu Amo os Animais e se Deus existe ele também AMA!
    Agora quem não ama deveria ao menos respeitar!
    Nem me admira uma revista publicar tal matéria!

  • Alessandra De Corso disse:
    30 de janeiro de 2012 às 10:31

    Na boa, depende de quem está ao meu lado….COM CERTEZA eu perfiro ficar com as minha cachorras. Fato! E não tô nem aí. Vc acerdita que eu sou cobrada pelo meu marido por essa minha indisposição de estar com alguns humanos e totalmente DISPOSTA a estar com minha filhas de 4 patas? Ele me cobra muito, mas não ligo. Na maioria das vezes perfiro ficar com elas. BJS

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