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    Viagem pra São pAU-AUlo – Dia 2

    Mãe de Cachorro - Ana Corina | 29 de novembro de 2010
    E continuando o relato sobre minhas voltas por Sampa City… Na noite do dia 1 o adestrador Gustavo Campelo havia me ligado para que pudéssemos nos conhecer pessoalmente e conversar sobre nossos trabalhos, tão distintos mas ao mesmo tempo relacionados à educação de tutores de cães e gatos e às noções de guarda responsável.

    Combinamos de tomar café da manhã na 5ª feira, 11/11, meu segundo dia “100% canino” em Sampa. Claro que a Melzinha foi junto, toda exibida com sua flor de pescoço. E que coisa boa poder estar com ela em uma padaria, ou padoca, para os paulistas! Infelizmente, esqueci de bater fotos para registrar o momento e mostrar como a minha afilhadinha ficou comportada entre humanos e suas comidas cheirosas…

    Conversando sobre a vida mais longa do que o considerado comum de seus cães (ele tem uma weimaraner de 17 anos, por exemplo), o Gustavo chega à conclusão de que a estimulação não só física, mas mental e diária de seus cachorros faz com que tenham muito mais imunidade e vivam não só melhor, mas mais. Ele explicou que cães precisam de desafios intelectuais e que se todos nós gastássemos ao menos 5 minutos por dia exercitando o cérebro de nossos peludos de maneira correta, estaríamos fazendo um bem imenso para a saúde geral deles. Como? Começa com sempre pedir que realizem algum comando antes de ganhar algo, por exemplo, mas sempre variando os comandos porque os cães são tão inteligentes que geralmente antecipam o que queremos e já o fazem de maneira automática.

    Um exemplo? É hora da comida e você faz o totó sentar antes de ganhar a refeição. Logo, basta que ele veja você indo em direção ao pote para já aguardar sentadinho, comportadíssimo e… sem o menor desafio para sua inteligência! Assim, basta ensinar ao fofo uma meia dúzia de truques e variá-los diariamente antes de entregar sua comida. Então em um dia você manda sentar e dar a pata, no outro pede que deite e fique e por aí a coisa segue. Com isso, o cão precisa estar sempre atento a você, à espera de algum comando que fará com que raciocine. Algo como “Ok, para ganhar X, tenho que fazer Y. Mas pode ser também Z ou W, então é melhor eu focar se quero forrar a barriga!“. Bem, vocês podem imaginar como esta mãe de cachorro neurótica ficou depois do papo, não? 1) Um pouco irritada, porque a ignorância é uma benção e enquanto eu não sabia de nada disso, achava que bastava passear e brincar com o Shoyo pra ele estar psicologicamente satisfeito, mas agora eu sei que não é BEM assim… 2) Inclinada a saber mais do assunto, para poder não só praticar aqui em casa se achar que devo, mas passar tudo a vocês, que daí também decidem se o novo conhecimento deve ser posto em prática ou não. 3) Com cara de “Ai, Jesus, não posso esquecer de postar sobre isso.4) Fazendo conta de quantos anos mais além do “esperado” posso conseguir ajudar o Shoyo a viver… Prometo voltar ao tema, se eu estiver esquecendo ou enrolando, me cobrem por favor!

    Depois que o Gustavo nos deixou em casa, resolvi dar uma passeada com a Mel pelas redondezas pra ela esticar melhor as pernocas e quando já estávamos bem próximas da portaria do apartamento onde ela mora, voltando do passeio…
    Andávamos por uma calçada estreita, passando em frente (na verdade praticamente dentro) ao estacionamento de um mini-mercado, onde uma mulher dos seus 40 e tantos anos guardava compras no banco traseiro do carro, obviamente com a porta aberta, o que me fez andar mais à frente pra justamente DESVIAR da mulher e tudo o mais, com a Mel vindo atrás. Pois não é que dei um segundo de bobeira e a Mel lascou uma cheirada na batata da perna da senhora? Putz! Ela já levantou berrando (estava agachada com metade do corpo pra dentro do carro) “O que é issoooooo?” (gente, berrando mesmo)… Parei, virei totalmente em sua direção e não falei nada. Quando ela juntou o com o cré e viu a Mel, começou com a ladainha – sempre aos berros – “Que absurdo, esse cachorro nojento me lambeu, que nojo!” e seguiu…
    Ela (a plenos pulmões): – “É um absurdo, esses bichos nojentos sujam a cidade e estão por todos os lados!
    Eu (calma e educadamente) : – “Senhora, mil desculpas, a calçada é estreita e ela estava atrás de mim, não vi, desculpa mesmo.
    Ela (ainda alterada): – “Não quero saber! Se não pode controlar essa nojeira então não saia de casa, esses bichos imundos só sujam a cidade, olha ali“.
    (Mel totalmente alheia a tudo cheirava o chão um pouquinho mais adiante)
    Eu (já não tão paciente): – “Minha senhora, eu já pedi desculpas, claro que a senhora não tem obrigação de gostar de cães, o que mais a senhora quer que eu faça? A cachorra só lhe deu um beijinho!
    Ela, se achando A boazona de briga, ainda mais que o senhor do carro ao lado parou de guardar as compras pra assistir, continuou a berrar, repetindo as mesmas coisas e já aumentando tudo “Sujam a cidade e agora ainda mordem“. Só que… enquanto ela estava em seu piti matinal, até fui aguentando, mesmo ela xingando os peludos que amo tanto, porque era óbvio que com uma louca daquele naipe não se discute, mas quando ela começou a mentir e inventar, dizendo que havia sido mordida… Gente, a Mel é uma vira-lata das mais puras do universo, com nem 10kg, boazinha de tudo, e que teve a infeliz ideia de cheirar uma barraqueira,. Ela jamais sequer mostraria os dentes pra “monstra” ou qualquer outra pessoa… Bateu a raiva em mim e a coisa ficou emocionante pro tiozinho que estava assistindo tudo porque…

    1)Voltei um pouco na calçada e fiquei totalmente virada pra barraqueira do alto dos meus 1,71 metro de altura turbinadíssimos por um saltão 10cm (sim, às vezes ando nas alturas melhor do que de chinelo);
    2)Fiz a cara mais debochada que tenho em meu repertório de “expressões faciais para brigar com gente emocionalmente desiquilibrada
    3)Aumentei o som da minha voz para o tiozão ouvir BEM e comecei…
    – “Hum, senhora? Me conta? O que houve? Como está sua vida? Não, por que fazer um escândalo desses só porque uma cadelinha lhe lambeu não é bem o que está pegando, não é mesmo? Conta aí, como vai a vida? Como? Humm
    Gente, a cara da mulher era algo assim entre “Hã? COMO assim?” com “Talvez eu tenha me passado mesmo“. Nisso, dei só mais um passinho em sua direção, elevei um tantinho mais a voz, caprichando no tom debochado e calmo, ficando bem ereta, pro bicho que existe dentro dela lembrar que o bichão grande que se aproximava não seria assim tão fácil dela fazer correr. Sim, conviver tanto com cães tem as suas vantagens, a gente aprende que linguagem corporal é tudo nessa vida, hahaha.
    Enquanto ela resmungava xingamentos em voz já não tão firme e muito menos alta, continuei “Bom, com certeza sua vida não está das melhores, ainda mais pra se descontrolar dessa maneira. Querida, DESABAFA, vai! Fala que eu escuto. Porque eu já pedi desculpas e a senhora só berra e berra mais, então vai, estou com tempo, xinga tudo aí que quiser. Só me diz uma coisa: os seus filhos são assim bem educados como a mãe?“.
    Silêncio.
    Virei as costas e saí, um tanto triste porque não gosto de ser assim nojenta e mais ainda porque tive uma mínima amostragem do descontrole emocional que aparece imperar nos dias de hoje, pensando que é esse tipo de gente que termina pondo filho no mundo e criando monstrinhos que um dia maltratarão “animais imundos”…

    Mas como energia atrai energia e procuro manter a minha sempre o mais positiva possível, bastou olhar pra Mel, ainda alheia a tudo e todos, feliz da vida por estar na rua cheirando o mundo, pra eu começar a dar risadas e chegar na casa da Fê contando da nossa manhã cheia.
    Pausa pra almoçar no Carambolla, um restaurante delicioso onde terminei de relaxar e de esquecer a maluca do estacionamento.
    Voltamos para o apê, pegamos a Melzoca e fui conhecer um dos “supermercados de pets” mais famosos de São Paulo, algo que estava no meu roteiro e que eu queria muito fazer, porque estava imaginando um paraíso das novidades em produtos para cães e gatos, só que…
    Ai, gente, desculpem a chatice, mas que decepção! Tirando a parte boa que é ver gente com cães para todos os lados e poder estar com a Mel o tempo todo, achei os preços iguais aos das pet shops e agropecuárias aqui de Floripa, não gostei de ver bichinhos mil à venda (de mini-coelhos a pássaros) e não achei nenhuma variedade absurda de produtos para cães e gatos como estava imaginando. Ok, tudo é largo, espaçoso e há várias opções de produtos como camas e caixas de transporte, mas eu sinceramente não esperava ver animais à venda e na parte das guias e brinquedos, onde achei que ficaria feito criança em loja de doces e onde achei que haveria uma gama de produtos que eu sequer conhecia, não tinha absolutamente nada demais.

    Como o dia 3 seria sabidamente cansativo, tanto física quanto emocionalmente (por ser o dia do seminário sobre leishmaniose visceral), passei o resto do dia 2 curtindo a Fê, seu marido e a Mel. Semana que vem tem mais post “Viagem pra São pAU-AUlo“, com relatos sobre os programas (agora sim!) cheios de peludos e de pessoas queridas que conheci pessoalmente por lá.
    Quer conferir o dia 1? Clique aqui. As fotos da viagem você vê clicando aqui.
    Categoria: Adestramento, Guarda responsável, Viagens
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    2 Comentários:

    1. Kátia disse:

      1 de dezembro de 2010 às 23:38

      Ai… este post vai pros favoritos com certeza!!!
      Essa louca deve estar até agora tentando entender o que aconteceu. kkkkk
      Pagava pra ver isso.
      Ana vc é demais.
      Sou sua fã!

      beijão.

    2. Marli Delucca disse:

      29 de novembro de 2010 às 12:56

      Querida Ana Corina, o que Gustavo descreveu como estimulação física e mental, eu chamo de "motivo para viver",enquanto que nós humanos trabalhamos, conversamos e fazemos planos para o futuro, só alteramos o nosso modo de "viver da caça". Na natureza os animais se exercitam mental e físicamente se camuflando entre folhagens e se arrastando para conseguir pegar uma presa, e depois do lanchinho uma soneca quem sabe, e muita estimulação sensorial e olfativa com outros animais e plantas e novos territórios e prováveis predadores, é no meu modo de ver "o jeito natural de passar o dia" ter uma ocupação.
      É por estas e outras que tenho lá em casa, muitos brinquedos e atividades (lembrei que esqueci de te mostrar a piscina de arroz). Sabe aquele ditado "Olhe no fundo dos olhos de um animal e, por um momento, troque de lugar com ele..", eu penso muito nisso, pois se a comida está ali, e a cama aqui, o que é que terei para fazer o resto do dia….deve ser um tédio. É uma das razões que sou a favor de que sempre se tenha mais de um animal, pois um faz companhia ao outro, por mais que nos esforçemos não acho que vamos conseguir dar aquela lambida de orelha que eles trocam entre si, como muitas outras coisas que eles precisam para serem realmente felizes e terem uma vida plena. Bjkas

    Os comentários estão fechados.

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