Ctrl C + Ctrl V: O pai raivoso, a cachorrada e a petição

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Li, copiei e colei pra vocês…
Não vou entrar na polêmica, não sou mãe de gente, não tenho idéia do que seja, mas achei que deveria mostrar o texto aqui.
Usem o espaço para os comentários e soltem o verbo. Desta vez, fui pra cima do muro, estou com preguiça demais para descer. Meu único comentário: A CULPA É SEMPRE DOS HUMANOS!
A autora é a
Maristela, mãe da Dodô, e este texto saiu do Clínica da Palavra, o outro blog dela.

O pai raivoso, a cachorrada e a petição

Eu tava quietinha, no meu canto, torcendo pra não tossir, pra ficar boa de uma vez, pra Manu não desenvolver esta peste que já se manifesta pela tosse seca, quando abri o mail e achei uma mensagem de uma amiga (não dou o nome pq ela não me autorizou e nós vamos polemizar muuuuuuuuuuuito por causa do assunto!!!) que me enviava uma petição que já está com mais de 100 assinaturas. Não é nada contra as prisões arbitrárias na China, a tortura na África, a safadeza de tantos políticos no Brasil, a inflação que o Lula diz que não existe, etc etc etc. É uma petição que pede retratação de um jornalista aqui da província por causa de um texto que ele escreveu e que tem gente achando incitador de ódio e preconceituoso.
Também não vou citar o jornalista, que conheço há bastante tempo, embora não conviva com ele outro tanto. Ele escreve para um jornal que hoje é o que foram os da antiga Caldas Jr. em outros tempos. É bem lido. Tem blog também.
Pois o coleguinha escreveu uma crônica encharcada de ira porque seu fihinho, um bebê que nem anda ainda, levou uma mordida no olho, pelo que entendi de um cãozinho de alguma pessoa amiga. Como qualquer ser humano que se preocupe com sua espécie, este pai ficou literalmente furioso. E destilou seu reconhecido ódio nestas linhas.
Só que a raiva não reconhece limites e hoje eu acho que o autor, se pudesse, apagaria no mínimo metade das besteiras que escreveu e que, querendo ou não, são besteiras que ficam no ar, rodando por aí, mesmo num jornal que o sem-teto use para limpar a bunda daqui a alguns meses. Ele escreveu e ponto.
Desejou morte com tortura a todos os cães iguais ao que machucou seu filhotinho e espalhou sua bílis por todos os cantos do mundo, pessoas e atividades. E, claro, sobrou para a raça dos pitbulls, que ele deseja – como eu – ver extinta, já que fabricaram um bicho cujo comportamento malévolo fica ali, incubado, e só precisa de um empurrãozinho para se manifestar.
Imagino a dor e o sentimento de impotência deste homem que, nesta hora, é acima de tudo pai.
No mail que me mandou, minha amiga disse, com razão quem sabe, que ele não cuidou como devia do filho e atirou em quem não devia. Quem sabe? Respondi a ela que acho que este moço, como qualquer pessoa que escreve publicamente (eu, inclusive), comete muita asneira, produz textos absolutamente descartáveis e não é a primeira vez que coloca na roda temas que lhe rendem reações adversas. Mas é seu padrão de conduta e não cabe a mim questionar.
Não assinei nem vou assinar petição pedindo retratação do cara porque defendo o direito de ele escrever bobagens que, afinal, estão assinadas. É constitucional. Também porque, como já disse, acho que os pitt devem virar lembrança, começando pela castração, sem malvadezas. Ou então que cientistas inventem um jeito de recriar a raça eliminando o componente agressivo.
Tudo culpa dos homens, que, além de desenvolver um tipo de bicho perigoso, ainda os usam em rinhas e, pior, os deixam com fome, acorrentados, em becos miseráveis.
Tive, por 14 anos, um cusco chamado Pepino. Em sua trajetória de vida, ele mordeu e deixou marcas em três pessoa.
A primeira, era amiga de escola da minha filha e hoje é veterinária, filha de uma querida amiga que sempre me lê e me envia comentários e mails. Geninha era uma criança esperta, acostumada com seus cães que, uma noite, desafortudamente, ergueu o meu vira pelas patas dianteiras e ele desceu para o chão grudado em seu rostinho de querubim: faltava um pedacinho de carne na boca e, junto ao nariz, a milímetros do olho azul de Geninha, havia um risco que deixava o osso aparecendo. Achei que eu ia morrer quando, enquanto eu lavava o ferimento, ela me perguntou: “tia, será que eu vou morrer?” Não morreu, graças a Deus, seus pais foram de uma civilidade que me doeu na alma e, na mesma noite em que ela foi para o cirurgião plástico, costurar o rosto, o pai fazia o mesmo, por ter sido atropelado por um ciclista no Parcão enquanto corria. Pior: depois da sutura, me contou sua mãe, ela foi para a calçada da clínica mexer com um gato vadio que andava por lá.
Pepino mordeu, ainda, um amigo e uma ex-namorada de meu filho. Ninguém pediu sua cabeça. Porque, no fundo, o bicho não tem culpa. Continuo achando que o homem é o culpado de tudo – eu, por exemplo, deveria ter tirado o vira de perto de Geninha, a pior das vítimas, por ser, então criança.
O autor do desabafo contra o cão que mordeu seu filhinho e de todas as crueldades que listou na crônica hoje, com certeza, já se acalmou.
As cicatrizes se vão. O bebê, garanto, assim que crescer, vai querer um cãozinho.
E tudo vai se ajeitar.
Só não vejo jeito para os pobres pitbulls e para quem os criou com instinto de matar.
E, vou contar a vocês, ando com uma saudade do meu cachorro mordedor, que é mais uma lembrança numa manhã de sol, em cima de um tapete que, como ele, já se foi.

E PARA TODO MUNDO QUE É PAI DE GENTE, DE CACHORRO, DE IDÉIA, NO PASSADO, PRESENTE E FUTURO, UM ABRAÇO GRANDE.

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Comentários

  • Anonymous disse:
    20 de agosto de 2008 às 2:11 pm

    Após ler o texto do jornalista, com muita idgnação comentei lá no blog dela mesmo.
    até qdo teremos q aturar estes jornalista de M ajudando no retrocesso na luta por respeito aos animais?

    bjos
    Li

  • Rosane disse:
    21 de agosto de 2008 às 2:32 am

    Ai meus deuses!!! Esse assunto a respeito de pit bulls é tão complicado. Bom, a minha opinião é óbvia né… o cão criado com amor, dificilmente será um cão violento e até poodles podem ficar violentos. É claro que a diferença da mordida de um e de outro… enfim, enquanto eu lia o artigo, lembrei do tempo em que meu filho estava no jardim de infância em um dos melhores colégios daqui e voltava pra casa com marcas de mordidas, outra vez foi jogado de cima do escorregador e esfolou um lado todo do rosto. Sem contar que na primeira série, foi agredido por 3 (2 seguraram pra um terceiro bater). Mas aí nesses casos, eram filhos de médicos, engenheiros, classe média alta… talvez eu devesse ter feito campanha de castração em outros lugares, pra evitar que outra raça perigosa se disseminasse… :(

    Bjks

  • Sueli - Porto Alegre disse:
    21 de agosto de 2008 às 11:00 pm

    A Ponte do Arco Íris
    Bem do ladinho do céu tem um lugar chamado Ponte do Arco Íris.
    Quando morre um animal que foi especial para alguém daqui, esse animal vai para Ponte do Arco Íris.
    Lá existem riachos e colinas para que todos os nossos amigos possam correr e brincar juntos .
    Tem muita comida, água e sol, e nossos amigos estão quentinhos e confortáveis. .
    Todos os animais que estavam velhos e doentes voltaram a ter vigor e saúde; aqueles que estavam machucados ou aleijados estão inteiros e fortes novamente, exatamente como nas nossas lembranças dos tempos que já se foram.
    Os animais estão felizes e contentes, exceto por uma coisinha: cada um deles sente falta de alguém muito especial , que teve que ficar para trás.
    Todos correm e brincam juntos, mas chega o dia quando um subitamente para e olha para longe. Seus olhos brilhantes estão atentos; seu corpo treme de ansiedade. De repente ele começa a correr para longe do grupo, voando sobre o gramado verde, suas pernas indo mais e mais rápido.
    Você foi avistado, e quando você e o seu amigo finalmente se encontrarem, vocês se abraçam numa reunião feliz, para nunca serem separados novamente. Os beijos alegres chovem sobre o seu rosto; suas mãos afagam de novo a cabeça amada, e você pode olhar mais uma vez nos olhos confiantes do seu amigo, ausentes há tanto tempo da sua vida mas nunca longe do seu coração.
    Aí vocês cruzam juntos a Ponte do Arco Íris….
    Autor desconhecido…
    *********************

    Cheguei aqui através do Clinica da Palavra.
    Muito bom o Blog , e Mãe é Mãe,né???

    Sou MÃE de 6 : 4 cães( 20 machos e 20 fêmeas) e 2 humanos( 1 macho e 1 fêmea).

    Abraço

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