Hoje me passou pela cabeça que talvez as pessoas gerem uma expectativa sobre o que eu deva fazer, por ter o blog Mãe de Cachorro. Como por exemplo, encher meu quintal de animais recolhidos, ou ter uma solução mágica para quem encontra um cão ou gato abandonado e/ou doente em Floripa.NÃO me considero PROTETORA, mas sim, uma voluntária da causa animal.
Eventualmente, ESTOU protetora.
Como agora, quando com a ajuda de uma madrinha que paga a hospedagem, estou com o Oito sob minha responsabilidade (e isto implica: pagar remédios, castração, ração, sair pra passear e me virar para que ele seja adotado com responsabilidade e, de preferência, o quanto antes).
Protetor(a) mesmo, para mim, é aquela pessoa que retira das ruas e mantém constantemente um ou (muitos) mais animais sob seus cuidados com a finalidade de deixá-los saudáveis e doá-los com responsabilidade.
responsabilidade que sua consciência lhe cobra.
Então, minha gente, aproveito para dizer, se forem me ligar ou escrever para repassar o problema (como eventualmente acontece), por favor não o façam.
Foi você quem viu o bicho sofrendo, você quem se compadeceu, por que então outra pessoa vai resolver o problema por você?
Acho uma graça quando as pessoas me ligam ou mandam e-mail: “Olha, tem um cachorro aqui na minha rua, coberto de sarna, berne, bicheira, você vem buscar?“.
Eu digo: ou você faz parte da solução, ou passe reto. Todas as pessoas que recolhem animais botam a mão na massa, de uma maneira ou de outra. Quem não pode arcar com os custos, vai atrás de padrinhos que possam ajudar financeiramente, mas ainda assim fica responsável pelo animal, batalha uma boa adoção e gerencia todo o trabalho que isto vai dar.
Ligue, escreva, pedindo orientação sobre como ajudar, como resolver. Muita gente entra em contato com mil tipos de problema diferentes, respondo a todo mundo com o maior prazer e disposição, mas são pessoas envolvidas na solução, não querendo empurrar uma situação pra frente.
Vejo que há os protetores, os voluntários, os apoiadores e os ‘garganta’ (muito falam, nada fazem).
Mas voltando ao papo de as pessoas acharem que talvez eu fale e defenda uma coisa e faça outra:
Vez ou outra, como agora, até ‘estou’ protetora e voluntária, mas acontece que, por maior que seja meu quintal, não sou, não quero e não pretendo ser protetora de tempo integral. Simplesmente porque decidi enveredar por outro caminho e minha maneira de ajudar é outra: optei pela cruzada de educar as pessoas, ajudando, assim, a criar uma nova cultura. Por amor aos animais? Claro, mas inclua-se aí o bicho homem, que é, muitas vezes, o animal mais irracional habitando o Planeta Azul.
E vejo que o mundo precisa dos diversos tipos de engajamento, mas aproveito para dizer que o meu acontece através da educação.
Sinceramente, já acho que três cães lá em casa está até demais, porque essa cachorrada demonstra uma carência tão infinita que me dá uma agonia pensar que um é menos feliz que o outro porque não tem minha atenção total. Por essas e outras tenho feito questão dos pequenos pequenos morarem na rua com a Moira porque, até mesmo em função do porte, ela é sempre a que acaba sobrando aqui em casa, pobrezinha… Toda noite quando vou dar “Boa noite” fico com aquela sensação de que alguém não ganhou colo suficiente.
Então eu volto pra casa depois da Cão Terapia com essa sensação de que cada bichinho
daquele merece alguém para chamar de seu, e realmente vejo o quanto não desejo para mim um quintal cheio de filhos, embora deseje muito, isto sim, construir uma cultura em que os animais estejam inseridos de maneira harmoniosa e que sejam merecedores do respeito e cuidados que merecem.
De quebra, deixo um texto que recebi e meus sinceros PARABÉNS a todas as pessoas que gastam tempo, dinheiro e dedicação sendo protetores de animais mundo afora, mas sem julgar ninguém nem esperar que ser considerado salvador do mundo:
Os dez mandamentos do protetor!
2. Lembrarás de doar os animais que tenham chance de ter um lar; lembrai sempre da finalidade de todo o teu esforço, que é SALVAR O ANIMAL para que este tenha uma vida digna e melhor junto a donos responsáveis.
3. Não ficarás triste quando os animais forem embora para seu novo lar; lembra-te que como uma mãe ou um pai, salvastes uma vida para o mundo, que jamais se esquecerá de ti.
4. Disseminarás a todos que te cercam a Posse Responsável, mas também castrarás o maior número de animais que puderes, por ser a única solução efetiva para o problema do animal abandonado.
5. Não perderás a tua própria dignidade e individualidade; lembra-te que se não estiveres são, física e mentalmente, não poderás cuidar de ninguém.
6. Não ficarás revoltado contra a humanidade, afinal existem muitos voluntários de bom coração como vós, e a maioria das atrocidades são causadas pela ignorância. Cabe a ti ENSINAR!
7. Não esquecerás, de forma alguma, que também és um ser vivo como aqueles a quem tanto te dedicas; deverás reservar horas de lazer e convívio social só para ti, para que não continuem difamando o bom nome dos Protetores de Animais, confundindo-nos com desajustados sociais.
8. Reacenderás diariamente a tua chama de voluntário, aquela que te faz lutar contra todas as adversidades para atingir os objetivos, que causa tanta admiração entre os membros de nossa sociedade.
9. Aproveitarás o dia-a-dia para renovar os teus objetivos, para que os teus meios não se tornem os teus fins, afinal não quereis ser parte do problema, mas sim da solução.
10. Serás feliz, aproveitarás o dom Divino de
ENTENDER E PROTEGER ESSAS PEQUENAS VIDAS INOCENTES!
Plágio é crime federal previsto na Lei 9.610/98.
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Comentários
Cláudia, muito bom o que você escreveu. Adorei essa frase: “
Foi você quem viu o bicho sofrendo, você quem se compadeceu, por que então outra pessoa vai resolver o problema por você?”
Hoje mesmo uma amiga me ligou, falando que encontrou 6 gatos perto do Angeloni da Beira-mar. Um deles provavelmente está com câncer de pele (as orelhas estão fissuradas e o gato é branco). O namorado comprou ração e deu de comer a eles. Ela me perguntou se eu não poderia passar por lá e ver. Aí me pergunto: “Deus, ver o que, sofrimento?”. Eu AMO gatos, e ajudo uma ong (Adote um Gatinho). Mas não tenho condições financeiras de cuidar de 6 gatos (sem contar o espaço físico. Moro num apertamento). Dói de saber de não posso fazer nada, nem mesmo pude dar de comer. É frustrante. Também não é justo empurrar o problema pros outros. Só me pergunto qual a coisa certa que eu deveria ter feito no momento que minha amiga ligou. Ou como se diz, é “garganta” minha?
Bem, em todo caso, o que você faz é maravilhoso. Eu pelo menos não vejo a hora de arrumar esse apto logo onde estou morando e arranjar logo um gatinho (de rua, óbvio! Nada de raça! – só se estiver jogado e necessitado). Enfim, tudo de bom pra você moça, você é D+!!
Muito esclarecedor esse teu post, Ana! Quero aproveitar pra dizer que admiro muito essa tua missão educativa. Eu mesma já recorri aos teus conselhos algumas vezes, sempre tão úteis! Tenho aprendido muito, já tirei da rua e encaminhei vários cãezinhos e gatinhos (os mais recentes acompanhaste a história…), então fui protetora algumas vezes. E estou aprendendo a ser voluntária. Teu blog é um espaço muito precioso! aubraços
Oie! ADORO quando vocês comentam!
Só para esclarecer, no post “Protetor ou Voluntário” há dois textos, o primeiro meu, o segundo “Os 10 mandamentos do protetor” da Cláudia L. de Castro, ok?
Quando eu falo nos ‘gargantas’ quero tratar daquelas pessoas que dizem “Ai eu ADORO cachorro” mas não fazem NADA, nem mesmo botar um pote com água na rua de casa. Por que as pessoas ajudam quando e como podem, mas há coisas, como educar as pessoas sobre a castração, abandono, comércio de animais, que podemos fazer diariamente e são de graça, mas muitos não querem pagar o preço de serem julgados e de defender uma causa na qual acreditam. Eu, particularmente, sou chamada de CADELA toda santa semana por que sempre tem alguém pra dizer “mãe de cachorro é cadela” e eu digo “Ser chamada de cadela, para mim é elogio!”.
Para a pessoa anônima que postou sobre os gatinhos: você pode ajudar sua amiga dando orientação, batendo foto dos gatinhos e mandando para sites de adoção, tentando arrumar um lar de apoio etc. De diversas maneiras que não necessariamente implicam ficar com os gatinhos na sua casa. Não fique sentindo-se culpada por não fazer mais, faça o que podes, hoje. Não sou a favor de quem vive endividado por que cuida de inúmeros animais por que acredito que antes temos que estar bem para ajudarmos muitos outros mais, de diversas maneiras que não necessariamente são monetárias.
Agora fiquei curiosa: que fim levaram os gatinhos? Quando acontecer algo assim, escreva ao menos dando um e-mail para que eu possa ver no que posso ajudar, se consigo castração gratuita, doação de ração, sei lá. O importante é a tua amiga, que os achou, ficar responsável por eles.
Beijos,
Ana
Bom, não preciso nem dizer que me identifiquei com tudo o que li neste texto. Às vezes penso que se a quantidade de pessoas que ligam para meu celular (que é um dos números divulgados para a Cão Terapia) ligassem de fato para participar do Projeto, faltaria animais no canil.
Compartilho de que o objetivo maior, a luta maior tem que ser em cima da EDUCAÇÃO, isto sim trará mudanças de atitudes, de pensamentos e de ações. E nós, que somos sensíveis e temos compaixão ao sofrimento de todos os seres, se investirmos na educação poderemos ter num futuro muito próximo um pouco de paz em nossas vidas, sem tantos sofrimentos e decepções com nossos semelhantes.
Beijos
Ana Lúcia
Ana,
Sempre que posso divulgo seu site para amigos, para que eles entendam o que é ser protetor (ou voluntario)
Gosto mto de tudo o que vc escreve…
Quando morava em Floripa, participava mais ativamente da causa, mas agora longe (em Curitiba) confesso a voce que faço, com tristeza, um pouco menos..
Mas enfim, resolvi escrever para que voce saiba que estamos todos juntos nessa batalha para aliviar o sofrimentos de nossos amigos, e que a educação é o ponto de partida!
No futuro, quem sabe não podemos trabalhar juntas para construir esse tão desejado lugar de abrigo, que cuidará e tratará de animais abandonados.
Estou com vc nessa!
Abraços.
Muita gente ainda pensa que ajuda efetiva é recolher o bicho e levar pra casa. Inclusive protetores olham torto e te consideram de “segunda linha” se você não tem esta disponibilidade ou condição.
Faço pouco, mas faço o que posso assumir. Detesto os repassadores de desgraça e jamais compactuarei com abrigos, sejam eles oficiais ou quintais improvisados. E lamento muito pelos protetores que se perdem na ilusão de que recolher o maior número de animais é a solução pro abandono. Ainda que seja uma atitude de grande generosidade.
Ana,
O trabalho que vocês fazem é muito lindo. Desde a divulgação das ações neste site, como a Cão Terapia, tudo é muito importante para a causa animal. Vocês estão de parabéns !
Acredito que toda ajuda é indispensável e bem vinda, quem pode abrigar animais até eles serem adotados ótimo ! Quem pode ir na Cão Terapia e tornar a vida de alguns amiguinhos melhor, com mais qualidade, excelente ! Quem financeiramente pode contribuir, doar ração, medicamentos ou quem pode divulgar através de anúncios em jornais ou colocando, que seja, um cartazinho em algum ponto comercial, maravilha ! Existente muitas formas de ajudar e quanto mais pessoais puderem contribuir melhor! Cada um dentro de suas possibilidades e disponibilidades é claro. Os animais agradecem ! Um abraço
Amei este post!
É bem isso que quem se sensibiliza REALMENTE com a situação animal passa… Estes falsos "protetores"só falam da boca pra fora, mas não assumem nenhuma responsabilidade com o animal, já vão logo tentando passar pra quem faz algo.
Odeio quem tem depósito de animais tbm. Tenho uma pessoa da minha família que faz isso, só junta bicho e não põe para adoções nem faz o trabalho de conscientização das pessoas.
Triste isso, colecionar animais é doença pra mim, enfim…
Bom, venho parabenizar por este post muito legal e dizer que venho acompanhando e divulgando o Mãe de Cachorro com frequência por causa das ótimas iniciativas.
Bjão!!!
Oi Chelle, obrigada por comentar. Escrevo geralmente falando pra mim e é muito legal ver que outras pessoas pensam o mesmo. Grande beijo.
Ótimo post ana! To na mesma situação q a sua, voluntária sempre protetora as vezes. As pessoas precisam entender isso.
O pior de tudo é ter que ouvir besteira de quem é especialista em vida alheia, né? Vão se lascar! Beijo.
Olhem só: a maioria das pessoas critica os abrigos de animais e as pessoas que os mantém. Como é fácil ouvir: “o que eles fazem é colecionar animais”. Ou então: “abrigos são depósitos”. Se alguém tem tempo e espaço para cuidar de um animal de rua e se dispõe a fazer isso, parabéns, então que o faça. Mas acredito que criticar quem se doa para salvar o maior número possível de animais é cometer o mesmo erro que apontar o defeito dos outros com o dedo sujo. Julgar como se quem faz algo diferente do fazemos, ou mais do que fazemos, estivesse tão somente por isso, fazendo errado. “Cuidar de dois cães de rua é razoável. De cem, é um absurdo”. “Coisa de gente desajustada”. Certamente se houvesse menos abandono ninguém teria de fazer isso. Se cada pessoa que critica os abrigos cuidasse de dois cães carentes, talvez realmente não houvesse a necessidade de abrigos. Mas o abandono acontece em escala geométrica e as adoções em escala aritmética. E algumas pessoas, por ignorância ou por vaidade, não enxergam mérito em ações maiores do que as suas próprias. Admiro quem recolhe um animal e lhe dá alimento e abrigo. Mas admiro mais ainda quem faz o que pode por muitos mais. Já não são tão poucas pessoas fazendo isso e, mesmo assim, o abandono é muito maior. Então, com um pouco de humildade dá pra reconhecer que por mais que façam, pessoas que trabalham na educação, na castração ou na adoção de animais abandonados não estão fazendo certo ou melhor do que quem os resgata e os mantém em abrigos. Abrigos não são a melhor solução, mas salvam muitos destes animais carentes do destino cruel a que estariam sujeitos, e certamente se recebessem o apoio material necessário, poderiam ajudar muitos mais. Animais recolhidos, tratados e castrados têm muito mais chance de serem adotados do que os que permanecem nas ruas. É claro que se pode controlar o destino de um ou dois animais resgatados melhor do que o de cem. Alguns terão a sorte de encontrar bons lares. Mas animais que estão nas ruas têm o mesmo direito de sobreviver que estes poucos resgatados. Pessoas que saem da sua zona de conforto e agem acreditando nessa verdade, mantendo com escassos recursos espaços para estes animais, deveriam merecer no mínimo o respeito de quem diz se importar com eles.
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