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quinta-feira, 7 de junho de 2007

Tóto e eu: outros tempos, outro mundo!

Não sei quando você foi criança. Pode ter sido nos anos 50, 80, 90...
O que eu sei é que quando eu era criança, na década de 80, nossa relação com cães e gatos era bastante diferente.

De gatos eu até não sei falar, pois realmente nunca os tive. Ou melhor, tive uma vez, em 2004, por algumas semanas quando tirei um das ruas, tratei e doei. O único gato da minha vida. Seu nome era Zen.
Tá, voltando...
Mas de cachorros na década de 80 eu sei falar (quer dizer... ao menos sobre os da vila militar onde eu morava).

Meu pai sempre achou que ou você cuida realmente de um animal, ou não o tem (é isso aí, paizão!!! Posse responsável, sempre!).
E nós tínhamos o melhor cão do Universo. Dava um banho na perfeição do Shoyo.
Na época, eu era uma irmã de cachorro... E meu irmão, meu amor, meu amigo, era o Tóto. Assim, com acento na primeira sílaba mesmo. Tóto, e não Totó.

Que vida boa teve o Tóto... Morando em vila militar andava livre pelas ruas, pois as casas não podiam ter cercas ou muros e os carros não andavam a mais de 30km.
Nossa preocupação era com ele, não havia nenhum tipo de consciência social.
Castração? Que bicho era esse? E com isso lá ia o Tóto... Procriando.
Fugir da gente? Impossível, foi o Tóto quem apareceu e nos adotou. Ele saía por aí, mas sempre voltava.
Ficar preso? Bom, isso nem nos anos 80, nem nunca. Só se fosse dentro de um quintal. E o quintal do Tóto era o mundo... Era uma vila militar inteira.
Ser atropelado? Era a mesma chance para mim e para ele...

E não era só meu amigão canino que era livre... Eu também. Que felicidade dizer que cresci brincando despreocupada e ignorante de assuntos como violência e afins.
Eu e o Tóto saíamos pelos matos brincando, correndo, vivendo. Eu desfilava em troncos de árvore, comia manga no pé... E o Tóto lá, meu sombra, meu guardião.
Viveu 11 anos na nossa família. E eu tenho com ele uma dívida de gratidão tão grande que se transformou em amor a todos os outros cães do mundo.
Obrigada, meu amor, meu Tóto querido.

Enquanto isso, pelo mundo...

Enquanto isso, pelo mundo...
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