Somos todos animais

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Por mais que os seres humanos queiram manter-se acima de todas as outras espécies devido a sua super estimada ‘inteligência’ ou capacidade de raciocínio ‘lógico’, somos todos animais. E o que nos falta é contato com a Natureza. Em nossa assim chamada ‘evolução’, passamos muito mais tempo em contato direto com a Natureza do que distantes dela.
Eu mesma, em minhas singelas três décadas de vida, sou uma exceção à regra urbana moderna: tive a felicidade de crescer em meio a animais, plantas, árvores, regatos etc.
E ainda tenho a sorte e o prazer de morar em uma casa rodeada de árvores, gambás, lagartos, pássaros livres, meus três filhos lindos e até um macaquinho ocasional. Tudo bem que estamos praticamente ilhados em meio a conjuntos de apartamentos, mas me sinto morando em um oásis no meio do caos da construção desenfreada.
E é essa necessidade de contato com a Natureza que, acredito, faz com que hoje cães e gatos sejam, cada vez mais, parte da família urbana. Eles são quase que somente tudo que restou a muitos e muitos humanos, um último vínculo vivo com a Mãe Natureza e seus benefícios à nossa psique.
Agora mesmo eu estava ali fora brincando com os três filhos, assistindo a Moira comer um caqui caído do pé, para depois passar farejando a jabuticabeira só para constatar que já comeu todas as jabuticabas maduras e ainda ir cheirar a grama embaixo do pé de acerola atrás de uma frutinha caída…
Enquanto isso, o Sushi corria com um osso pelo quintal, que largou para catar os restos do caqui depois que a Moira o deixou. E lá veio ele, todo feliz com um pouco de caqui na boca. Claro que o Shoyo estava grudado em mim, fazendo festa e me lambendo sem parar. Eu o botei no parapeito da janela, lugar onde ele adora ficar deitadinho, com a língua balançando para fora da boca e assistindo a tudo do alto, de camarote e ganhando muito carinho. É impressionante como ele não tem ciúmes dos outros. Bastar estar ali, perto de mim.
E, finalmente, havia eu, bicho no meio dos bichos, pensando em como a felicidade mora em momentos como este, onde estávamos os quatro somente existindo, interagindo, sendo.
E em como a relação homem-animal pode ser curativa, em como a humanidade simplesmente decidiu que era superior às outras espécies e a partir daí as subjugou e declarou inferiores e desse desrespeito e desequilíbrio nasceram também as distinções dentro de sua própria raça, as escravizações -antigas e atuais-, o sexismo, os genocídios etc.
Estava era muito certo o sr. Thomas Hobbes quando disse O homem é o lobo do homem

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