Vocês acham que sempre quero vir pra internet fazer o blog?
Claro que não! Amo ler, amo brincar com meus filhos, amo estar quietinha, amo sair com os amigos e todas estas coisas muitas vezes eu deixo de fazer para estar aqui, sentada, pesquisando, fuçando, buscando material para fazer do blog um lugar de aprendizado. Primeiro, e sempre, aprendizado pra mim, porque a cada dia que passa vejo como devemos estar sempre abertos para o novo e o quanto estudar é importante. Depois, claro, para quem me lê.
O triste é que algumas vezes, muitas mais do que eu gostaria, os assuntos tratados não são agradáveis. Mas o mundo não é uma injeção de fluoxetina na veia, todo colorido em cores pastéis.
Nesta última semana, fiquei chocada com a maldade humana que presenciei lendo sobre o cão que foi levado para morte no CCZ só porque mordeu a esposa do seu dono. E aqui é dono mesmo, não é tutor, não é pai, não é amigo. É dono no sentido mais estrito de "proprietário", porque só alguém com uma mentalidade assim, de possuidor de um objeto, para dar a um animal um fim tão triste e macabro. O pior: o cão não era de grande porte, a esposa 'ferida' não levou pontos, não foi nenhum ataque dramático e sanguinário, enfim, não havia sequer nenhuma desculpa mais forte para que pudéssemos ao menos tentar pensar que talvez as pessoas envolvidas nesta crueldade pudessem ter algum argumento. De sangue realmente derramado nesta história, só o do pobre cão. Pior do que este fato isolado, foi ver uma outra pessoa escrevendo um texto em defesa e outras ainda, comentando e apoiando.
Daí você é obrigado a parar e a pensar: "Pra onde vai a humanidade se há gente com esse tipo de mentalidade?". Vai para a derrubada de helicópteros por traficantes, vai para as guerras, vai para a pedofilia, vai para a exploração infantil, vai para os atentados terroristas, vai para os ataques de atiradores que saem matando a esmo, enfim, vai para as cucuias.
E nestes momentos, minha vontade é de parar tudo, de seguir a minha vida, de ir pra rua brincar com meus três peludos queridos e, confesso, às vezes a vontade é de morrer. É de sumir, deixar de existir mesmo, porque me dá um nojo gigantesco saber que neste chão que pisamos, pessoas abjetas e genuinamente más habitam. E ainda por cima, reproduzem-se em progressão geométrica, seja literalmente, seja através de seus exemplos toscos e vis.
Mas daí vem uma leitora querida e deixa um recado dizendo que graças ao blog tem aprendido muito e que com isso, está salvando vidas de animais, vem uma veterinária e deixa recado no meu twitter falando "Por ser veterinária, mãe de cachorro e amante dos animais, sou muito feliz de existir no mundo alguém como vc. Sou sua fã!", vem outra leitora e me manda e-mail consolando minhas dores, vem o senhor que estava me ajudando a cuidar de um cão abandonado na nossa rua (claro que foi castrado!) e conta que o pequeno lindo foi adotado por uma conhecida dele que cuida super bem, vem um leitor e deixa comentário dizendo que graças a um post conseguiu curar seu peludo etc. Então eu penso que não posso mais me dar ao luxo de ter as minhas vontades, que o blog e minha interação com a causa animal em geral, na minha vida pessoal inclusive, já viraram algo maior do que eu mesma e que, não importam os momentos ruins e sim os bons, quando renovamos nossas forças e seguimos adiante de cabeça erguida e coração esperançoso, porque este mundo precisa disto, de um verdadeiro exército do bem a crescer e multiplicar, para que um dia, talvez daqui a milênios (se o homem não detonar o mundo antes disso), alguém possa dizer "O mundo evoluiu. Já não há mais violência. O mundo é bom e está em paz.".
Obrigada a todos que me mandam manifestações de carinho e apoio, porque olha, minha gente, confesso que há dias em que é só isso que me faz sentar aqui e escrever, ainda que com as lágrimas escorrendo pelo rosto, como agora.